19/11/2009

Professora Luiza em aula sobre Wallon

"Eu sou o outro
de modo que
se eu me atirar no barranco vai a humanidade inteira."

26/09/2009

Amigão!

Foi caótico ver no Jabaquara as pessoas se amontoando para fora da estação com caras de perdidas e putas da vida atrasadas para trabalhar. Um incêndio por curto-circuito, uma greve, um usuário na linha, qualquer pane e fode a vida de todos os paulistanos. Do caos no metrô para os trânsitos quilométricos. Uma consulta cancelada, uma aula perdida, mais stress em um dia de trabalho.

DEPENDÊNCIA
Para Verônica é isso que faz do Metrô o melhor amigo de São Paulo.



Estou pensando em participar do concurso: o melhor amigo de são paulo. Será que tenho chance?...

20/09/2009

HOLD ON

breathing's just a rhythm
say it in your mind until you know that the words are right
this is why we fight
this is why we fight

23/08/2009

Almoço rotineiro em família aos domingos.
- Então, mãe.... o apartamento tá reformando rápido então eu e o Diego estamos vendo a papelada no cartório pro casamento e é um prazo de quarenta dias pra ficar pronto. Ai a gente queria comemorar com vocês e os pais do Diego em um restaurante depois...
Silêncio...
- Mãe, fala alguma coisa...
-Ah... faz o que você acha melhor...
-Só isso?
-Ah é ! Se é isso que você quer...faz o que você acha melhor...
-Ah...tá...
Silêncio e cinco minutos depois...
-Mas a mãe do Diego é catolica..ela não faz questão que ele case na Igreja? Porque assim, pra mim tanto faz, você sabe que no espiritismo não tem essa tradição mas...
-A mãe dele já sabe!
-E ela?
-Ela perguntou pra ele se é porque não tem groselha na casa deles...
Silêncio e mais alguns minutos depois
-Mas você não tem lençol de cama!
-Ah.. a gente compra...
-É mãe! Quantas vezes eu e a Dé por preguiça de colocar lençol não dormimos no colchão direto, isso é o de menos!
-É!!!
Volta o silêncio a reinar.
- Não tem nenhum nenê vindo, né?
-Mãe!!! Com oito anos de namoro, se eu quisesse engravidar já teria, né!!!
-A Dé comprou o apartamento em janeiro, você esperava o que?
- E você pai?
- Ah.. sua mãe fala pela gente.
E vem o silêncio de novo......
-É...a gente precisa comprar os lençóis...



Compramos os lençóis para a casa da Dé ontem...

14/08/2009

22 anos.

Eu era uma criança magrela, do cabelo chanelzinho bagunçado que gostava tanto de ficar no meio das outras crianças brincando de pega-pega como sozinha no meu quarto com todas minhas miniaturas do kinderovo e histórias mirabolantes com elas. Gostava tanto de barbie como de correr sem próposito com meu amigo da sala nos recreios da escola. Virei uma pré-adolescente com síndrome de Peter Pan... pelo menos até meus 12 anos demorei pra aceitar que a infância passou.. que eu tinha criado cintura, quadris largos e seios e deveria agir como um indivíduo com esses atributos age: como mulher. Nesse intervalo passei pelos pop adolescentes na quinta série até chegar na aceitação da minha adolescência fã de Red Hot Chili Peppers,Nirvana e outros grunges e hard core, na sétima série. Os cabelos ficaram longos e escondiam meu rosto, característica daquela pessoa tímida que não é nem a excluída, nem a popular da sala... é quase invisível (e era o que eu buscava). Fui de ginásio em particular para colegial em pública. Pessoas da minha convivência mudaram consideravelmente... No começinho tinha amizade com garotas populares, mas vi que não era praquilo que eu queria mudar... Logo fui pra um grupo mais discreto, mas engraçado. Agora eu tinha amigos do fundão da sala e fãs pingados pela escola. Mesmo assim mantive minhas notas altas e cabelos jogados nos olhos. Daí foi um processo mais demorado que levou dois anos de cursinho e custou um ingresso em uma universidade pública. Desde então as mudanças começaram a serem mais violentas e rápidas. Meu cabelo em três anos já teve cinco cortes diferentes, duas cores, franja, presilhas e faixas... Minha sociabilidade varia desde da vontade de cumprimentar e abraçar todos os conhecidos que vejo pela frente até não querer olhar nem para os lados para perceber outros seres vivos em volta de mim. Meu gosto musical abrange desde Chico Buarque, samba antigo até o punk de The Distillers ou rocks antigos e alternativos.... Não sou mais criança, nem pré-adolescente, nem adolescente mas uma mulher adulta pensando em ter uma casa e um emprego, firmar uma profissão, buscar uma iniciação científica e quem sabe, em um breve futuro, um mestrado... Acabou de virar o dia e fazem treze minutos que tenho que responder 22 anos para minha idade.

Eu mudei tanto e porque às vezes é tão díficil aceitar que os outros também mudam e que tudo está exposto a isso?

07/08/2009

Wish Tree



Nosso horário nunca era o mesmo. Ainda bem, porque essa coisa de rotina me cansa. Todo dia víamos uma tabela com os horários e para cada hora um número e cada número representava um artista da exposição. O 4 era o Ernesto Neto e torcíamos para que, em horas de muvuca, não fossemos sorteados para trabalhar lá... lá ou no 9, o Emmanuel Nassar, porque sempre dava um trabalhão explicar para as caras tortas do público. Gostoso era ver a surpresa das crianças no Cildo Meireles quando descobriam que de uma vassoura saia o infinito, o mar, a lama, o cabelo da bruxa... Eu amava o 5 que era o Eduardo Sued. Era o qual muitos visitantes chamavam de trepa-trepa. Mas era um trepa-trepa de cores... Só as cores podiam se pendurar e se misturarem. Virava uma casa-quadro porque você podia entrar na sua pintura e lá morar... nem se for por uma horinha. Justo nessa hora, tetos viraram cachoeira...pano estampado virava jardim (o jardim podia ficar dentro da casa), cama podia ficar do lado do jardim... Lá o teto também podia virar céu e ser meio-noite e meio-dia. De longe era mais bonito ainda. Imagine uma pintura viva... panos voando, subindo, descendo e desaparecendo.
Tinha um que eu prestava mais atenção nas últimas horas de exposição, quando ficávamos nós, monitores, e as obras. Não tinha como para mim não viajar nas árvores do desejos da Yoko Ono lá pelas vinte horas da noite. Um dia percebi como era bonito esteticamente... Na parte superior as variações de verdes das folhinhas e em baixo os desenhos denunciando um público infantil ou até mesmo uma população baixa. O verde e o branco que se encontravam e misturavam no meio. De longe só papéis brancos porém chegando perto se percebia a individualidade de cada etiqueta. E obedecendo a natureza humana, lia os desejos assim como todos os curiosos que passavam naquele lugar (considere quase todos os visitantes). Eu caçava os mais originais e engraçados como "Quero ser uma pizza gigante!". "maçã" e "feliz natal", admirava os simplistas do "ser feliz", "eu quero um sorvete" ... Afinal, era só uma árvore, uma tradição japonesa trazida numa exposição. Fosse só isso não teriam pessoas que voltariam lá com frequência para colocar o mesmo desejo. Lembro de um que, meio a tantos "felicidade, paz e amor", se repetia e reaparecia"Quero trabalhar no SESC e ser professor de Ed.Física". Para esse virou um ritual e para outros virou uma crença. Tinham aqueles que, por mais que fosse só uma árvore, desejavam que no fundo estivesse enganados pois aquilo que queriam era tão complicado e sofrível que qualquer caminho, mesmo que seja em um que dependa somente de fé é válido. Lembro-me claramente como um desejo piscando entre vários.... "Que minha irmã saia do hospital"....."Encontrar meu filho"...."Um emprego". Acreditar que cada curioso que tenha lido esses últimos desejos foi cutucado e tornado esse um desejo seu também seria ótimo. E assim a árvore, a somente árvore, tenha se tornado A Árvore dos Desejos Realizados.

05/08/2009

Mudança

... mudei porque aquilo que me limita mudar me incomoda...

era aqui http://chansondetoile.livejournal.com/